AMORFINA

  1. Ao brincar com o precipício tudo se realiza:
Voz e vento vêm
e voo.

    Ao brincar com o precipício tudo se realiza:

    Voz e vento vêm

    e voo.

  2. silogismo pobreantes da ideia já conclusão,antes do pulo já queda,antes da pena já peso,antes do oceano ainda mar.O pulo do medo não voa.Do voo a coragem é a premissa.

    silogismo pobre
    antes da ideia já conclusão,
    antes do pulo já queda,
    antes da pena já peso,
    antes do oceano ainda mar.

    O pulo do medo não voa.
    Do voo a coragem é a premissa.

  3. A prosa estica o homem.

    A prosa estica o homem.

  4. III

    É o que todos nós vivemos, permanente ruína e construção; a ruína não é só escombros, entulhos, os destroços de ser, em sua essência fratural, em seu peso de queda e sua ânsia de linha. O ser deitado ao chão é o ser que sonha e ruína não sonha, ruína é poeira nas narinas. Eu cansei de poeira. Tenho sede de concreto armado, posto em pé, firme, branco, ângulo reto - suspendam as curvas. O teto recua e de cima brota a vida, o rio, a serpente de águas furiosas, suspendam a sede e a poeira, a respiração novamente escorre pela parede.

  5. a terceira parte,
a confluência,
o sangue tingido pelo mesmo sal.

    a terceira parte,

    a confluência,

    o sangue tingido pelo mesmo sal.

  6. mar mudo: inunda o chão a coragem. mar meu: a mudez das águas.

    mar mudo: inunda o chão a coragem.
    mar meu: a mudez das águas.

  7. D’ouro
Deita-se em silêncio a tarde.

    D’ouro

    Deita-se em silêncio a tarde.

  8. O verbo é cegoa retina descolagaveta guarda a memoria visual do medo.

    O verbo é cego
    a retina descola
    gaveta guarda
    a memoria visual
    do medo.

  9. -a hora de respirar a dor de respirar pelo seu-

    -a hora de respirar a dor de respirar pelo seu-