Ao brincar com o precipício tudo se realiza:
Voz e vento vêm
e voo.
silogismo pobre
antes da ideia já conclusão,
antes do pulo já queda,
antes da pena já peso,
antes do oceano ainda mar.
O pulo do medo não voa.
Do voo a coragem é a premissa.
A prosa estica o homem.
É o que todos nós vivemos, permanente ruína e construção; a ruína não é só escombros, entulhos, os destroços de ser, em sua essência fratural, em seu peso de queda e sua ânsia de linha. O ser deitado ao chão é o ser que sonha e ruína não sonha, ruína é poeira nas narinas. Eu cansei de poeira. Tenho sede de concreto armado, posto em pé, firme, branco, ângulo reto - suspendam as curvas. O teto recua e de cima brota a vida, o rio, a serpente de águas furiosas, suspendam a sede e a poeira, a respiração novamente escorre pela parede.
a terceira parte,
a confluência,
o sangue tingido pelo mesmo sal.
mar mudo: inunda o chão a coragem.
mar meu: a mudez das águas.
D’ouro
Deita-se em silêncio a tarde.
O verbo é cego
a retina descola
gaveta guarda
a memoria visual
do medo.
-a hora de respirar a dor de respirar pelo seu-